90 Carteiras, 51 Ativos e 1 Único Objetivo: Aprender! (Resultados de Out/2012)

carteiras-de-investimentos-2012

Olá Amigos!

Essa é a 10ª atualização da série Alocação de Ativos em 2012.

Todas as atualizações você pode acompanhar na seção carteiras de investimentos aqui no blog.

A média das 90 carteiras nesse mês foi de -0,51%.

Continue lendo essa atualização para saber mais sobre:

  • Quais são os ativos mais comuns entre as carteiras?
  • Estatísticas surpreendentes sobre as carteiras
  • Rentabilidade Mensal dos 51 Ativos e das 90 Carteiras
  • Ranking das Carteiras
  • Qual carteira possui o maior índice de sharpe?
  • Carteira Destaque do Mês
  • Relação entre risco x retorno das 90 carteiras
  • Evolução das 5 melhores carteiras x CDI x IBOV

Conheça as 90 Carteiras de Investimentos

Acompanhe abaixo os dados sumarizados dessas 90 carteiras.

1. Alocação de Ativos Média das Carteiras (Classes de Investimentos)

Alocação Média das Classes das Carteiras de Investimentos

Uma das primeiras surpresas que tive quando comecei a receber as planilhas foi saber que vários investidores estavam utilizando o modelo 4-3-2-1.

Ele se refere a: 40% Renda-Fixa; 30% Ações; 20% FII e 10% Câmbio.

A diferença da média para este modelo é que os investidores preferem tirar 5% do Câmbio para investir esses 5% em Ações.

Na minha opinião é uma boa escolha, já que nem toda carteira deve alocar em câmbio.

2. Ativos que Receberam a Maior Alocação

Cada círculo azul no gráfico acima se refere a um ativo.

No eixo Y você pode ver a participação de cada ativo na carteira média.

No eixo X você acompanha a posição (ranking) desses ativos nos 51 ativos presentes.

O ativo com maior média de alocação foi a LFT 2015, seguida pela LTN 2015 e pelo BOVA11.

Analisando os ativos preferidos nota-se que não há nenhuma ação individual ou fundo imobiliário, o que significa que o público do HC Investimentos tende a diversificar mais sua carteira, alocando em ativos que sintetizam melhor um índice.

A lanterna fica com TAMM4, com uma alocação média de apenas 0,06%.

Warren Buffet, no livro The Intelligent Investor, já citou detestar companhias aéreas…

Não sei se é coincidência, mas os investidores parecem concordar com ele.

3. Estatísticas Interessantes e Surpreendentes sobre as Carteiras

Estatísticas das Carteiras de Investimentos

Separei 7 itens do tipo: “Você Sabia?”

  1. Além de 52% das Carteiras Investirem nas 4 Classes, 83% investem em 3 classes de Investimentos.
  2. Além de 21% das Carteiras Investirem mais de 50% em Renda-Fixa, apenas 9,52% investem mais de 50% em Ações.
  3. Costumo dizer que o investidor deve investir, no mínimo, em 5 fundos imobiliários diferentes. Neste caso, o baixo número de 63% me preocupa.
  4. Além desta regra de bolso de 5 fundos imobiliários, cito que uma diversificação ideal seria acima de 10 fundos imobiliários. Somente 30% passaram neste teste.
  5. 42% das Carteiras Investem somente em ETFs de Ações na Classe Bolsa. Até que o número me surpreendeu positivamente.
  6. 42% das Carteiras Investem em um Mix de ETFs e Ações Individuais. Aqui era onde esperava a maior concentração de investimentos.
  7. 17% das Carteiras Investem somente em Ações Individuais na Classe Bolsa. Será interessante analisar o retorno x risco destas carteiras.

Nota: Pode haver pequenas distorções nos números por questões de aproximações.

Rentabilidade Mensal

Após esses gráficos introdutórios sobre as 90 carteiras participantes, precisamos analisar o retorno dos 51 ativos que as compõem.

Somente desse modo saberemos o quanto cada carteira obteve de rentabilidade nesse mês.

Nota: A rentabilidade apresentada pode ser ligeiramente diferente de alguma base de dados, já que ela é calculada através de dados diários, ao invés de simplesmente pegar o dado mensal de uma fonte.

É um gráfico bem extenso, mas resume em detalhes todos os ativos.

Se você não está acostumado com esse tipo de gráfico vou relembrar suas principais informações:

  1. O gráfico reflete um ranking decrescente. Logo, de cima para baixo temos os ativos com maior rentabilidade.
  2. Existe uma divisão (linha cinza) entre ativos com rentabilidade positiva (barras azuis) e rentabilidade negativa (barras vermelhas).
  3. Cada classe de investimento recebe uma cor para facilitar a visualização do retorno: Renda-Fixa (azul); FII (verde); Câmbio (laranja) e Bolsa (vermelho).

A rentabilidade e as análises desses 51 ativos foram divididas em 6 gráficos diferentes:

1. Distribuição do Retorno Mensal dos Ativos

Ao invés de analisar uma longa tabela + um gráfico que mais parece um arranha céu, que tal analisar a distribuição do retorno mensal de cada ativo?

O gráfico é simples. No eixo vertical (Y) temos o retorno mensal de cada ativo.

No eixo horizontal (X) temos a posição no ranking de rentabilidade do ativo.

Logo, analisamos da esquerda para à direita os ativos com maior rentabilidade.

SLED4 foi o destaque do mês, com rentabilidade de 9,70%.

OGXP3 foi o fracasso do mês, com rentabilidade de -23,41%.

Todos os detalhes sobre as carteiras em breve…

Mas antes…

2. Retorno Mensal das Classes de Investimentos

Este gráfico coleta a rentabilidade média de cada tipo de classe.

Por exemplo, a Classe Bolsa possui 23 ativos, sendo 3 ETFs e 20 ações.

Logo, calcula-se a média (sem ponderação) para essa classe, assim como para todas as outras.

Nesse caso, a média da classe Bolsa é de -1,17%, valor superior ao retorno de BOVA11 no mês, de -3,63%.

O ETF PIBB11 apresentou rentabilidade de -0,59% e o ETF SMAL11 -0,61%.

Para saber mais sobre a relação entre BOVA11 x PIBB11 leia essa análise comparativa que fiz entre os dois.

A classe Renda-Fixa foi a que obteve melhor resultado no mês, com alta de 3,37% na média.

3. Distribuição do Retorno Mensal da Classe Renda-Fixa

Novamente, um gráfico que analisa a distribuição do retorno.

Porém, agora os ativos são rankeados dentro de sua própria classe. No caso, Renda-Fixa.

Note-se que os títulos públicos indexados à inflação (NTN-B) apresentaram os melhores resultados.

A ordem dos retornos novamente se deu através da duração do título, ou seja, do seu tempo até o vencimento (quanto maior a duração, maior o retorno).

4. Distribuição do Retorno Mensal da Classe Fundos Imobiliários

Este mês não foi um bom mês para os fundos imobiliários, que apresentaram perdas em sua grande maioria.

O ativo destaque para os fundos imobiliários foi o BRCR11, com rentabilidade de 1,46%.

Nota: O fundo mudou recentemente seu código de BRCR11B para BRCR11.

Do lado negativo, o fundo HTMX11B apresentou o pior resultado, com rentabilidade de -19,98%.

Embora sejam fundos imobiliários e não apresentem a mesma magnitude de risco das ações, perceba a variação do retorno entre eles em um único mês. Portanto, nunca esqueça de diversificar.

No longo prazo, uma carteira com Renda-Fixa + FII + Bolsa, formando a Tríade Financeira, tende a obter uma relação risco x retorno muito melhor do que uma carteira somente com Renda-Fixa + Ações.

5. Distribuição do Retorno Mensal da Classe Câmbio

O Euro foi o destaque da classe Câmbio nesse mês, com rentabilidade de 0,92%.

É importante lembrar que os ativos cambiais possuem um correlação negativa com o Ibovespa e tendem a apresentar na maioria das vezes resultados opostos ao índice.

6. Distribuição do Retorno Mensal da Classe Bolsa

Mais uma vez note a variação de retorno entre a melhor ação (SLED4 +9,70%) e a pior ação (OGXP3 -23,41%).

Não é a primeira vez que OGXP3 fica na lanterna das ações no mês. No ano, o ativo já está com rentabilidade abaixo de -65,00%.

Todo mês eu coloco aqui uma mensagem sobre a importância de diversificar e esse mês não será diferente.

Se você coloca 100% do seu dinheiro em uma única ação você não está investindo, mas apostando, não importa qual seja a empresa.

Casos como a OGXP3, MMXM3, CMIG4 já foram relatados aqui nessa seção sobre carteira de investimentos e a cada mês temos uma nova surpresa.

A alta volatilidade e risco das ações individuais nos obriga a escolher diversas delas para não sofrer tanto em momentos de pânico e não deixar de aproveitar momentos de euforia.

O debate entre ações individuais x ETFs de Ações irá sempre existir. Independente da sua preferência, diversifique sempre!

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Carteiras de Investimentos: Ranking no Mês

clique na imagem para ampliar

Na tabela acima você pode ver a rentabilidade mensal das 90 carteiras enviadas, ordenadas pelo ranking de rentabilidade no mês.

A carteira líder no mês é a FLD, com uma rentabilidade de 2,53%.

Carteiras de Investimentos: Ranking (Acumulado)

clique na imagem para ampliar

Na tabela acima, você pode ver o ranking da rentabilidade acumulada das 90 carteiras enviadas.

A carteira líder continua sendo a XAR, com uma rentabilidade de 27,95%.

O fraco desempenho da bolsa em outubro fez com que a “disputa” entre as carteiras ficasse mais acirrada e acredito que ainda teremos grandes mudanças nesses 2 meses seguintes.

Distribuição do Retorno Acumulado das Carteiras de Investimentos

Acima, o gráfico de distribuição do retorno acumulado as 90 carteiras analisadas.

Na liderança, segue a carteira XAR.

Carteira Destaque do Mês

O destaque desse mês é a carteira FRAR com rentabilidade de 1,33% e acumulada de 17,65%.

É uma carteira bem conservadora com praticamente 95% investidos em Renda-Fixa.

O motivo dela estar aqui é que assumiu nesse mês a posição #1 da carteira com maior índice de sharpe.

Índice de Sharpe

Veja no gráfico abaixo as 10 carteiras com maior Índice de Sharpe:

Índice de Sharpe acima de 1,00 já é um ótimo resultado.

Entretanto, essas 10 carteiras apresentaram resultados acima de 2,00, o que mostra uma ótima relação retorno x risco dessas alocações nesse ano.

Para ver a lista completa do índice de sharpe das 90 carteiras basta ver essa imagem.

Retorno x Risco das Carteiras

O retorno anualizado aparenta ser muito alto para algumas carteiras devido ao curto período de 9 meses e retornos acima de 20%.

O maior retorno (mais acima) é da carteira XAR.

O menor risco (mais à esquerda) é da carteira LASA, bem próximo da FRAR.

Portanto, quanto mais acima e mais à esquerda a carteira estiver, significa que ela obtém a melhor relação risco x retorno.

Conclusão

Até o final de outubro/2012 temos os seguintes números:

  • A rentabilidade média das carteiras acumulada no ano é de 15,82%
  • A rentabilidade do CDI em 2012 é de 7,24%
  • A rentabilidade do Ibovespa nesse ano é de 0,55%
Com esses números conseguimos chegar a uma importante conclusão:
  • O índice de sharpe do Ibovespa é de -0,31 (sua volatilidade anual é de 21,42%)
  • O índice de sharpe da média das carteiras é de 1,25 (sua volatilidade anual é de 6,88%)

Portanto, as carteiras estão obtendo um retorno bem acima do CDI (218,54% do CDI) e do Ibovespa, com um risco 3x menor do que a Bolsa.

Analisar os resultados dessas 90 carteiras diferentes permite amplo uso de dados para verificar conceitos como:

  • Diversificação de Carteiras
  • ETFs x Ações Individuais
  • Minimização de Risco
  • Número adequado de fundos imobiliários para investir
  • Correlação entre as diferentes classes

E o mais importante …

… Como cada carteira se comporta em diferentes cenários.

Não temos o poder para adivinhar o futuro. Logo, diversificamos.

Continue acompanhando este estudo, porque uma coisa é certa: Todos temos muito a aprender.

Nada melhor do que ativos reais, dados reais, e análises detalhadas de 90 carteiras de investimentos.

Agora é com você!

Como está a sua carteira de investimentos nesse período?

Qual tipo de alocação de ativos você está usando para driblar essa forte queda do Ibov?

Você está satisfeito com os seus resultados dado o seu perfil como investidor e a maneira que montou sua carteira?

Deixe suas ideias logo abaixo na caixa de comentários!

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Sobre o autor

Henrique é especialista em alocação de ativos, eleito um dos 5 melhores educadores financeiros do Brasil em 2012/2013. Continue Lendo aqui!

  • Álisson M.

    Cuidado com o título: ainda consta como Set! 🙂

  • Eu

    Uma coisa interessante seria se, no post final, tivesse um gráfico para cada carteira mostrando como ela se comportou durante o ano. Acho que ficaria interessante e mostraria a volatividade de cada carteira.

    Com isso, cada leitor poderia ver como se comportam carteiras com diferentes alocações.

    Não sei se é viável, mas fica a ideia.

    • Oi Eu!

      Infelizmente, é informação demais para os leitores, além de um trabalho ainda maior do que já é colocar todos esses números em ordem. 🙂

      Talvez no final do ano faça uma edição especial com alguns gráficos e ideias novas e mostrando carteiras individuais como exemplo.

      Abraços!

  • Olá HC,

    Excelente trabalho, cada dia melhorando mais e trazendo um estudo mais apurado, muito bom!
    Primeira vez que minha carteira aqui (PSE) tem um resultado negativo… Já estou ansioso para montar uma com o que aprendi durante este ano de 2012, lendo seu ebook, artigos, investimento em várias modalidades e acompanhando muitos blogs, com certeza amadureci minha estratégia. Irá continuar com o estudo em 2013 certo?

    Abraços!

  • Helison

    Olá Henrique,

    Mês pesado pra todo mundo hein!

    Aki, será que vc consegue me enviar as rentabilidades por email?

    Oportunidade boa de entrada, tanto em ações quanto em FII.

    Grato.

  • Francisco Ribeiro

    Boa noite para todos!

    Parabéns pelo seu trabalho e esforço Henrique!

    No meio do caos a carteirinha conservadora (FRAR) até que se saiu bem… rsrsr

    Ainda continuo forte em RF, mas desde o início do ano para cá, comecei a praticar a alocação de ativos e mesmo com as pesadas perdas recentes dos FIIs e Ações, estou conseguindo me safar bem das turbulências e preparar a aquisição de ações e FII´s que estão começando a ficar com preços muito convidativos. Praticar a alocação de ativos é ter a exata noção do que está acontecendo e ter tranquilidade para andar na direção oposta à manada sem medo de ser feliz.

    Agradeço muito aos conceitos deste blog a aos comentários dos participantes que me fizeram despertar das trevas da ignorância financeira. Ainda tenho muito a aprender, porém, com certeza estou melhor do que quando montei a carteira FRAR a quase um ano atrás.

    Forte abraço para todos.

    FRAR.

    • “Praticar a alocação de ativos é ter a exata noção do que está acontecendo e ter tranquilidade para andar na direção oposta à manada sem medo de ser feliz.”

      Ótima colocação Francisco!

      Fico feliz que o blog tenha sido útil para você esse tempo. Agradeço sua participação no estudo e nos comentários.

      Forte Abraço!

  • Fernando

    Parabéns meu caro, que ótimas informações. Fico grato em ter encontrado esse site. Abraços

  • Álisson M.

    E aí, Henrique!

    O trabalho continua ótimo: parabéns pela persistência!

    Revisei os teus artigos desde que a série começou, em janeiro, e percebi que somente 5 das 10 primeiras carteiras foram “destaque do mês” até o momento. Isso significa que não conhecemos a alocação de nenhuma das outras carteiras – aliás, mesmo destas carteiras não conhecemos a alocação intraclasse. E acho, particularmente, que este é um dado BASTANTE interessante – investidores iniciantes, como eu, tem bastante dúvida sobre o percentual e o número de ativos em cada uma das 3(4) classes básicas e algo como o desempenho das carteiras ao longo do ano ajudaria bastante a ter um parâmetro (tanto para ver que algumas carteiras muito concentradas, como a XAR, deram sorte e renderam bem, como para ver que outras renderam muito mal).

    Ou seja, destas carteiras todas, qual delas se aproxima mais do modelo “ideal”?

    Abc,
    Álisson M.

  • Álisson M.

    Bom, separei os comentários, já que tratavam de assuntos diferentes: agora são os Custos.

    Entre as recomendações da alocação de ativos, nenhuma me preocupa mais que observar os custos de cada um dos ativos. Não invisto em ações individuais não apenas por não ter conhecimento sobre análise técnica ou fundamentalista, mas também pelos custos envolvidos nas operações. O problema acaba sobrando para os FIIs, que ainda não tem ETF próprio.

    Numa carteira de R$ 100.000,00, e considerando 20% em FIIs, contanto com cerca de 7 fundos (5~10 sendo o recomendado, certo?), teríamos cerca de R$ 3.000,00 em cada fundo. Parece uma suposição razoável. Utilizando o método de realocar somente numa variação de 20% em relação a posição original, provavelmente ficaríamos num valor próximo de R$ 600,00 de venda ou compra. Com uma corretagem próxima dos R$ 15,00, temos um custo de 2,5%.

    Avaliando este valor de maneira isolada, fico preocupado: não é demasiado alto pagar 2,5% para comprar/vender um ativo? Em compensação, pagar 2,5% para vender na alta e comprar na baixa não parece justificável?

    Que pensam vocês a respeito?

  • Geonys Marlan

    Haveria a possibilidade de lista como os ativos da carteira XAR estao locados individualmente?

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