Custo de Oportunidade: O Que é e Por Que Você Precisa Entender Este Conceito Para Ter Sucesso Investindo

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Você já ouviu falar em custo de oportunidade?

Muito provavelmente, não.

Mas tenho certeza que você já tomou decisões considerando o custo de oportunidade, mesmo sem saber sobre.

Quer entender melhor o que eu estou argumentando?!

Então siga a minha linha de raciocínio:

Você muito provavelmente já se deparou com a necessidade de fazer uma escolha.

Algumas decisões são fáceis, enquanto outras são bem mais complicadas.

Será que eu estudo mais um pouco ou saio com os amigos?

Limpo a casa ou assisto à televisão?

Devo viajar ou guardar o dinheiro e investi-lo em algum produto financeiro?

Esses são exemplos de escolhas que fazemos todos os dias.

Como eu disse, algumas decisões realmente são mais fáceis de serem tomadas.

Outras, porém, exigem cuidado e planejamento, em especial quando estamos falando de dinheiro e tempo.

Ao decidir por uma das alternativas, você automaticamente deixa de escolher a outra.

Isso significa que você renunciou dos benefícios de uma decisão em detrimento de outra.

É exatamente aí que entra o conceito de custo de oportunidade.

Parece muito complicado?

Pois saiba que não é!

Tenho certeza de que eu conseguirei fazer você entender o que significa esse conceito tão importante para a economia e para a vida de todas as pessoas que se preocupam com o futuro.

Neste artigo, você vai aprender detalhes importantes, como:

Também tenho certeza de que o entendimento do conceito de custo de oportunidade pode melhorar sua vida como um todo.

E não estou falando apenas sobre as decisões financeiras.

Até mesmo aspectos como o social e emocional podem ser fortemente impactados por suas escolhas.

Tomar a melhor decisão é algo que envolve o conhecimento do custo de oportunidade de outra alternativa.

Parece interessante?

Então continue lendo este artigo!

O QUE É O CUSTO DE OPORTUNIDADE?

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Custo de oportunidade é um conceito que só parece complicado.

Na verdade, ele é mais fácil de entender do que você imagina.

Por quê?

Porque o vivenciamos todos os dias ao fazermos uma escolha!

Digamos que hoje pela manhã você tivesse duas possibilidades.

Sim, entre milhares de outras coisas, por enquanto vamos nos limitar a apenas duas:

  • Acordar às 8 horas da manhã e estudar até às 12 horas, ou;
  • Acordar ao meio-dia.

Ao escolher dormir até às 12 horas, você automaticamente deixou de estudar.

Entretanto, se você acordou mais cedo e estudou até o meio dia, você automaticamente deixou de descansar por essas quatro horas adicionais.

O tempo adicional de estudo (caso tenho optado por dormir até mais tarde) e o tempo adicional de descanso (caso tenha escolhido acordar mais cedo) são o que é chamado de custo de oportunidade.

Em resumo, o custo de oportunidade é um benefício perdido por causa de uma determinada escolha.

MAIS EXEMPLOS DO QUE É O CUSTO DE OPORTUNIDADE

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Aqui vai mais alguns exemplos para você entender o que é o custo de oportunidade.

Imagine que mais uma vez você tem duas alternativas:

  • Ficar em casa assistindo à televisão, ou;
  • Sair para passear com os amigos.

Se lembrarmos o conceito de custo de oportunidade (benefício perdido em detrimento de uma escolha), teríamos as seguintes situações:

  • Se você escolher ficar em casa, o custo de oportunidade seria o tempo agradável que você passaria com os seus amigos;
  • Se você escolheu sair com os amigos, o custo de oportunidade seria o tempo agradável que você ficaria em casa assistindo à televisão.

No exemplo acima, deixei bastante claro que as duas situações resultariam na renúncia de um benefício agradável, mostrando que esse conceito não necessariamente precisa abordar situações obrigatoriamente conflitantes.

Porém, os dois exemplos acima têm algo em comum: trabalham apenas com o tempo como o benefício renunciado.

O próximo exemplo vai fazê-lo entender que nem sempre esse é o caso.

Digamos que você seja uma pessoa bastante aventureira, mas que trabalha na cidade e esteja planejando comprar um novo automóvel.

Depois de muita pesquisa finalmente se deparou com as seguintes alternativas:

  • Uma moto com boa autonomia de combustível, mas voltada apenas para o asfalto das cidades;
  • Um carro popular com uma autonomia razoável de combustível e que se dá bem tanto nas estradas de terra como no asfalto, ou;
  • Um carro esportivo que não possui uma boa autonomia de combustível, mas que se dá muito bem em estradas de terra e chão batido.

Neste caso específico, em vez de ensaiarmos com as três opções, vamos considerar que você optou pela opção mais econômica.

Por isso, a sua decisão foi comprar a moto.

Qual foi o seu custo de oportunidade?

  • O carro popular com sua autonomia razoável e capacidade de andar na estrada e asfalto.

É importante destacar que, para esse caso, considerando que sua principal necessidade era a economia, a escolha do carro é o custo de oportunidade por se enquadrar na segunda melhor alternativa.

A primeira, obviamente, era a moto.

O custo de oportunidade faz referência ao benefício que você está perdendo ao escolher a primeira alternativa em detrimento da segunda.

A terceira, desconsiderada nesse caso, seria o carro esportivo, que atenderia seu desejo aventureiro, mas iria de encontro com a necessidade de economizar.

Para isso, foi necessário tomar uma decisão levando em conta suas principais necessidades.

Ainda vamos voltar a falar delas daqui a pouco.

CUSTO DE OPORTUNIDADE NA ECONOMIA E NEGÓCIOS

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Depois dessa longa explicação sobre o custo de oportunidade em nosso cotidiano, está na hora de discutirmos a sua validade para o mundo dos negócios.

Afinal, é aqui que esse conceito realmente chama atenção e é extensamente utilizado.

Para isso, vamos mais uma vez recorrer aos exemplos.

Imagine que você tenha uma empresa e disponha de R$ 200.000 para investir em um projeto.

Há três alternativas para você:

  • Projeto A, com retorno de R$ 500.000;
  • Projeto B, com retorno de R$ 350.000, ou;
  • Projeto C, com retorno negativo de R$ 10.000.

Se levarmos em conta que todas as alternativas exponham o capital aplicado ao mesmo nível de risco e não é possível escolher mais de um projeto ao mesmo tempo, qual deles você escolheria?

É lógico que o Projeto A!

Ele compõe a melhor alternativa, motivo pelo qual devemos escolhê-lo.

Porém, o Projeto B é o segundo melhor.

Portanto, o seu valor é considerado como o custo de oportunidade, ou seja, R$ 350.000.

Esse conceito ainda pode ser aplicado de diversas formas na economia e negócios.

Se uma empresa decide comprar uma máquina para aumentar a sua produção, precisa levar em conta o custo de oportunidade de possuir esse ativo imobilizado.

Se uma outra companhia opta por dispensar um funcionário, precisa considerar o custo de oportunidade que teria ao mantê-lo dentro do seu quadro de colaboradores.

Nesses últimos casos, o cálculo pode ser um pouco subjetivo ou de difícil obtenção.

Entretanto, é preciso sempre levar em conta a outra alternativa antes de tomar uma decisão.

HÁ UMA FÓRMULA PARA O CUSTO DE OPORTUNIDADE?

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Como eu disse anteriormente, o cálculo do custo de oportunidade pode ser um pouco subjetivo em alguns casos.

Porém, para nós, investidores, há indicadores confiáveis que podem servir de parâmetro para descobrirmos se fizemos uma boa decisão financeira.

Geralmente usamos duas métricas para esse fim: a taxa SELIC e o CDI.

Poderemos conversar melhor sobre esses dois termos em um artigo futuro do HC Investimentos ou do Clube do Valor.

Por enquanto, é bom entender que esses são indicadores através dos quais um determinado valor pode ser corrigido levando em conta uma quantidade de tempo.

E qual é a utilidade desses parâmetros?

Descobrir se o seu investimento está dando retorno superior aos dois principais custos de oportunidades a ser considerados.

Como descobrir isso?

Para nossa sorte, o Banco Central disponibiliza uma ferramenta para correção de valores e cálculo da taxa SELIC e do CDI para determinado valor.

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Tudo o que você precisa fazer é colocar as datas inicial e final do investimento, bem como o valor a ser corrigido.

No caso do CDI, ainda é preciso colocar a porcentagem (em relação ao CDI) que vai servir de parâmetro para o cálculo.

É dessa forma que você descobre se o seu investimento é vantajoso ou não: colocando a taxa SELIC ou uma certa porcentagem do CDI como custo de oportunidade.

CONCLUSÃO

Você se lembra quando eu disse que a sua decisão leva em conta suas principais necessidades?

Essa é a mais pura verdade quando estamos falando de qualquer escolha que você faz na sua vida.

Afinal, com raras exceções, temos a liberdade de tomar boa parte das decisões que enfrentamos.

Isso de fato não vai mudar.

Porém, quando conhecemos o conceito de custo de oportunidade, podemos tomar uma decisão mais acertada.

Em vez de olhar apenas as vantagens da sua escolha, é preciso analisar os benefícios daquilo que você escolheu renunciar.

Voltemos ao primeiro exemplo que dei neste artigo: será que eu durmo um pouco mais tarde ou levanto cedo e estudo até o meio-dia?

Se você optar por prolongar o seu sono, tem que considerar o custo de oportunidade que teria se acordasse mais cedo.

A sua decisão deixa de levar em conta apenas o cansaço ou o possível sono atrasado que tem sido acumulado nos dias anteriores, por exemplo.

Temos, portanto, mais um fator que pode ajudar na tomada da melhor decisão.

E é esse tipo de informação que vai te ajudar a fazer as melhores escolhas.

Não importa se estamos falando de coisas simples do cotidiano ou grandes investimentos visando sua independência financeira.

O custo de oportunidade é muito importante e sempre deve ser levado em conta.

Nunca se esqueça disso!

Um forte abraço,

Ramiro.

Imagens: Shutterstock

Sobre o autor

Henrique é especialista em alocação de ativos, eleito um dos 5 melhores educadores financeiros do Brasil em 2012/2013. Continue Lendo aqui!

  • Jonatam César Gebing

    Belo artigo, HC!
    Abraços!
    http://www.pobrepoupador.com

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Muito obrigado, Jonatam.

      Grande abraço!

    • Opa Jonatam! Obrigado! 🙂

      Abração!

  • Rômulo Cardoso Martins

    Muito bom artigo, o conceito fica muito bem esclarecido!
    Abraços
    http://www.investimentusbrasil.com.br

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Muito obrigado pela participação e pelo feedback, Rômulo!

      Grande abraço!

  • Alison

    Esse custo oportunidade é uma dor de cabeça. rsrs Ramiro e Henrique, esse pode ser um bom momento de comprar ações ou ETfs? A bolsa tá bem atrativa, mas fico em dúvida o momento certo. Já estou com IVVB11 e gostaria agora de adicionar PIBB11 ou SMAL11.

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Fala Alison, tudo bem? Sendo bem franco na resposta: você nunca me verá dizendo se este é “o momento” de comprar um ativo ou outro.

      Eu sinceramente não acredito que seja possível prever o retorno futuro de ativos de renda variável (especialmente o retorno de curto prazo). Por isso, sigo bem à risca a estratégia de alocação de ativos (que explico melhor neste post: http://hcinvestimentos.com/2017/01/31/estrategia-de-investimento/).

      Sobre a sua alocação em IVVB11, acho excelente escolha. É muito saudável ter uma parte da carteira atrelada à economia forte e moeda forte 🙂

      Qualquer dúvida adicional, estou à disposição.

      Grande abraço!

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